2016_RAUM : Residências Artísticas online

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De 2 de Março até 5 de Abril, sete alunos de Artes Plásticas do Mestrado e Licenciatura da Escola Superior de Artes e Design – Caldas da Rainha estão em residência na plataforma raum.pt, com seis projectos. O projecto colectivo, intitulado Academia de máquinas de imaginar e outras invenções, reúne trabalhos de Constança Bettencourt, Guilherme Silva, Kevin Claro, Patrícia Henriques, Pedro Brito & Ema Gaspar e Pedro Lira, com curadoria de Isabel Baraona, Luísa Soares de Oliveira e Susana Gaudêncio.

“Um Linguista propunha um modo de abolir todas as palavras, de maneira que se discutisse sem falar, o que seria favorável ao peito, porque está claro que, à força de falar, os pulmões gastam-se e a saúde altera-se. A solução, por ele achada, era carregar consigo todas as coisas e objectos de que se quisesse tratar. (…) Outro cientista desde há oito anos que estava envolvido num projecto que consistia em extrair raios de sol dos pepinos, fechá-los em recipientes herméticos e usá-los para aquecer o ar em dias frios e chuvosos. (…) Havia também um arquitecto genial que concebera um novo método de construir casas, começando pelo telhado e terminando nas fundações.” – Swift, Jonathan (1726), Viagens de Gulliver, Relógio d’água, Lisboa, 2010

Nas suas Viagens de Gulliver, Jonathan Swift narra a história de um médico aventureiro que viaja na época das grandes explorações marítimas, encontrando novas ilhas e comunidades fantásticas que satirizavam a sociedade europeia da sua época. Poderíamos ler estas terras de geografias inventadas e sem lugar (utopias), como espelhos deformados do mundo. Em Balnibarbi, região sob o jugo de Laputa (a ilha flutuante), funciona uma academia de inventores e cientistas ocupados em descobrir como funcionam todas as coisas no mundo.
O acto criativo faz do Homem um ser voltado para a construção do futuro, modificando o seu presente. É aqui que pensamento artístico e pensamento utópico se relacionam. Arte e utopia dão resposta à vontade do artista que, tal como o inventor, amplia o real a partir das suas obras artísticas que são as suas máquinas de imaginar.

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