2005_Cubic : Passo Próximo

10 Jovens artistas apresentam-se numa exposição conjunta na Galeria Cubic, em Lisboa, de 15 de Setembro a 01 de Outubro, num projecto comissariado por Maria Manuela Lopes. Passo próximo assume-se não como um projecto expositivo per si, mas essencialmente como um momento/passo que se pretende problematizante no percurso inicial desta dezena de jovens artistas que apresentam o seu trabalho. O conjunto de trabalhos seleccionados é heterogéneo, assim como a natureza dos meios que os constituem, e alimenta-se na multiplicidade de assuntos em confronto. Um laço acercou o grupo de autores nos primeiros passos enquanto criadores; usufruíram de uma condição de proximidade e partilharam uma convivência de questões e aprendizagens num mesmo espaço e tempo (ESAD – Caldas da Rainha, onde concluíram, há um ano, a formação académica). David Etxeberria e Vasco Braga Santos, apresentam um vídeo, numa experiência repetida de um projecto conjunto, que lida com questões de tensões nas relações contadas em pequenas fracções que esgrimam argumentos, confrontos, espaços e confiança. Eduarda Silva, apresenta desenhos numa problematização da identidade feminina e do acesso ao corpo. Assume conceitos como confiança e segurança num universo de branco puro pontuado por introduções extemporâneas de cor intensa. Luísa Silva, apresenta desenhos em branco e negro que residem na proximidade de linhas que tecendo tramas, se fundem em composições feitas de vazio, acaso e simplicidade. Marco Rodrigues, mostra pintura, grandes dimensões em técnica mista permitindo ao olhar a partilha do sentido da desfragmentação e do excesso com que a sociedade pós moderna nos envolve. A luz trespassa as camadas e organiza o percurso do olhar do observador. Marco Silva, a estrutura da sociedade como pretexto e a estrutura de um espaço de não exposição como assunto são tratados numa instalação que pretende questionar a posição do público/espectador reflectindo por sua vez a condição humana. Patrícia Reis, fotografia, um meio que vem desenvolvendo e se apropriando nos últimos anos e do qual se socorre para tocar nos fragmentos de espaço-tempo que na sua invisibilidade marcam indelevelmente momentos de memória. Susana Anágua, que apresentando vídeo questiona as fronteiras do médium pela utilização de códigos domesticados e da imagem produzida pelo erro no funcionamento tecnológico do aparelho de recepção doméstico – a televisão, que resulta em paisagens aleatórias sem matriz ou referente. Susana Matos, mostra desenhos que questionam a fronteira da pintura e se apropriam de relações de concentração e dispersão, transparência e opacidade e aproximação e distância para permitir percursos do olhar nos emaranhados de linhas que sugerem manchas e no fundo disputam a sua depuração. Vera Gonçalves, pela gravura constrói uma narrativa visual através da linha pretendendo demarcar situações do quotidiano contrastadas e apresentadas sobre forma de objecto/dobragem. Aceitando o desafio de reunir um grupo de ex-alunos/jovens artistas, em cujos projectos identifico ainda caminhos percorridos e nos quais vejo (pela distância) cada passo dado, propus-lhes o repto de sair dos limites dos seus ateliers e se afirmarem em mais um pequeno passo – na certeza de que o plano maior de cada obra só é sentido quando se evade das fronteiras do universo privado e se sujeita à comparação e apreciação com outras obras/projectos. Expor é sempre uma oportunidade de testar criticamente os projectos produzidos e as opções tomadas. O principiante tem muitos caminhos, o experiente, poucos; partindo deste ditado Zen, procuro acompanhar os caminhos que se desenham passo-a-passo por/para cada um destes artistas, auspiciando que cada passo lhes permita a coragem de não desistir de prosseguir no caminhar e no questionar.

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