2015_Centro de Artes das Caldas da Rainha : Obra Gráfica

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O que é a formação em gravura e serigrafia?(…) não se trata apenas de formar um bom técnico, (adquirir um conhecimento técnico transmissível), mas também, e principalmente, deixar que aconteça um bom artista. Isto significa, antes de mais, a lenta descoberta e experimentação do livre uso da gravura e da serigrafia.

Em que consiste esse livre uso? Fundamentalmente, ele é a descoberta do que pode e não pode o meio e o autor, a conversão em poder da imagem do poder e mesmo do não poder do artista. Não se trata assim de aplicar uma qualquer “normatividade”, um dever ser à imagem mas de experimentar a gravura e a serigrafia (a arte fala de si) e o mundo (a arte não fala apenas de si), e de se experimentar. Deste último ponto de vista – o livre uso (artístico, ignoremos a redundância) -, as cadeias operatórias do fazer da gravura e da serigrafia entram, aqui e por vezes, numa forma de “desorganização” e entram em combinações improváveis. Por exemplo, de meio de reprodução por excelência ela passa a meio de obtenção de “gravuras” únicas. Este exemplo é pertinente porque toca a própria definição estabelecida de “gravura”, ou seja, a obtenção de um número de provas quase idênticas a partir de uma mesma matriz.

Resta convidar os visitantes desta exposição ao lugar do espectador. Um lugar de disponibilidade para o encontro, para sofrer a ação ressonante destes objetos, e acompanhar o seu livre movimento de sentir, pensar e agir. (excerto do texto de Fernando Poeiras)

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Curadoria de Célia Bragança. Imagem gráfica de Paulo Costa e Ricardo Jesus, Oficina Digital.

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