2013_Exposição de finalistas da Licenciatura e Mestrado

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A questão de sabermos se vivemos, de facto, na arte, uma era do post-medium – ou seja da definição de uma prática não assente em especializações num só medium – é uma questão polémica que levanta outras questões fundamentais para quem pretende debruçar-se seriamente sobre os problemas do ensino artístico. Certo é que não pode ignorar o facto de que muitos artistas hoje em dia trabalharem em mais do que um medium. A possibilidade de especialização em mais do que um medium, requer a uma flexibilidade grande no sentido de poderem desenvolver trabalho usando uma série de media diferentes. Por outro lado, para cumprirem com as exigências profissionais do meio artístico, os artistas deverão demonstrar um domínio técnico e um entendimento da especificidade do medium escolhido (e sua história) que atestem da adequação da sua escolha bem como do resultado obtido. (…) Um grau académico em artes plásticas, embora não seja condição sine qua non para a prática artística, pode providenciar uma orientação para aqueles que optem por uma carreira nas artes plásticas. (…) A questão de sabermos o que é a arte e o que é ser artista hoje, refere-se não apenas ao entendimento da complexidade do seu papel social, da sua área de intervenção, do modo como intervêm, da contextualização das suas práticas, do significado das suas produções e da especificidade de uma actividade que, se por um lado está cada vez mais assumida como profissão igual a tantas outras, por outro, contém de facto, na sua génese, uma lógica que subverte a lógica normal das coisas. A arte cria um sistema de significações – que mantém através da institucionalização e de constantes readaptações às mudanças sociais ocorridas – sendo assim um sistema abstracto de valores. O que se aprende numa escola de arte? Aprende-se “a ser artista” quer como produtor directo quer como produtor indirecto – ou seja, todos os outros agentes que contribuem para a produção da arte; aprende-se também como funciona esse sistema de significações, que posicionamentos se podem ocupar dentro dele e como se contribui, de modo significativo, para o seu avanço. Nesse sentido, uma escola de artes deve, por um lado, fornecer conhecimentos e competências e, por outro, fomentar o desenvolvimento de competências e capacidades sobre técnicas, especificidade dos meios, sua história e suas significações, de modo a que cada aluno tenha um entendimento do campo artístico e compreenda as possibilidades que lhes estão abertas pela multiplicidade de modos de operar e o que justifica um curso em banda larga. A escola de artes não se centra meramente na formação de artistas, mas sim numa formação baseada na aquisição de conhecimentos, capacidades e competências no âmbito das problemáticas da produção artística, através de uma abordagem assente na praxis informada e articulada com saberes das áreas teóricas.

Cultura de Escola

Numa época em que se diluem as fronteiras entre o local e o global, já não faz sentido pensar-se num desenvolvimento linear – regional, nacional, internacional – mas sim numa simultaneidade de perspectivas onde se podem cruzar referências e significados que extravasam fronteiras, por vezes traçadas por princípios que limitam mais do que potenciam. Este é o posicionamento que está na base da cultura de escola da ESAD.cr.

Excerto do texto de divulgação escrito por Pedro Campos Rosado e Catarina da Câmara Pereira

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